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Ode a Copacabana

3.4.14

Há dois meses, quando assentei arraiais em Copacabana, apanhei um grande choque. Apesar de estar a morar a duas quadras da praia e de isso supostamente ser uma coisa boa, o bairro não tem glamour absolutamente nenhum. Pensava eu que Copacabana era um paraíso de gentes bonitas e elegantes, mulheres chiques com chapéus de abas tão grandes que cobrem o rosto e apenas deixam antever um sorriso espontâneo e fresco, homens com corpos trabalhados e com barrigas tão definidas nas quais podemos ralar cenoura, com calças de linho brancas e t-shirts coloridas. Sou uma moça com tendência para sonhar, de facto. Copacabana é suja e alegre, mas não tem elegância. As putas e os travestis misturam-se estranha e harmoniosamente com as senhoras idosas endinheiradas que passeiam os cães, os únicos seres vivos que as acompanham nos seus dias. Pessoas que pegam no batente às 6 da manhã, outras que vivem de rendas, outras que treinam obsessivamente na BodyTech, o ginásio onde se paga quase 400 reais por mês - em Copacabana vê-se de tudo e eu aprendi a adorar essa manta de retalhos. Tive de mudar de casa devido à prolongação da minha estadia no Brasil e queria continuar em Copacabana, porque sim, porque também eu sou uma manta de retalhos (pai angolano, mãe portuguesa, metade de um coração em Itália e um nascimento perfeito entre dois signos). Mas a Nossa Senhora do Apartamentinho (aquela que protege todos aqueles que procuram casa) assim não quis e hoje mudo-me para Ipanema. Despeço-me agora de "Copabacana" com uma pontinha de tristeza. Mas mais triste é ficar parado, por isso vamo que vamo, que é o brasileiro para "ala que se faz tarde".

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