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Sobre o projecto "Home is where I am"

30.1.14

Pois é. Tenho andado para aqui a escrever coisas ao acaso sobre a minha viagem ao Rio de Janeiro, tipo à mete-nojo (ainda não viram nada, esperem para ver quando eu estiver em Copacabana com pés enfiados na areia e água de coco na mão) e há muita gente que não sabe a que propósito é que isto veio. Eis as perguntas mais frequentes, só para vocês.

Home is where I am - o que é isso?
"Home is where I am" é o nome que dei a um projecto pessoal que fui desenvolvendo ao longo dos últimos meses. Sou de Portimão, filha de um angolano e de uma alentejana-beirã e saí de casa, pela primeira vez e definitivamente, aos 17 anos para ir estudar em Leiria. Depois de quatro anos em Leiria, passei uns meses no Rio de Janeiro a estagiar, morei 3 anos em Milão e 4 anos em Lisboa. Desapeguei-me da minha cidade natal de forma natural e tenho conseguido adaptar-me e integrar-me sempre nas cidades onde escolho morar, fazendo delas a minha casa. No sentido físico e emocional da palavra. O facto de ser naturalmente desenraizada - o que é bem diferente do que não ter raízes - permite-me chegar a uma nova cidade, adquirir hábitos locais, fazer amigos e transformar aquele lugar, até então, desconhecido, tornando-o meu, como se sempre tivesse vivido ali. 
O projecto "Home is where I am" surge da necessidade de me desafiar e de viver em cidades em que sempre quis viver: Rio de Janeiro, Nápoles, Nova Iorque e Lobito/Luanda. 3 meses em cada uma. Nesses 3 meses quero viver como um local, mantendo uma rotina de trabalho e de vida social, como qualquer pessoa. Quero voltar a experienciar aquela sensação mágica de quando se passa de turista a residente.

Ena, tantas viagens. És rica?
Sim, se perguntarem aos meus amigos, todos dirão, espero, que sou uma rica pessoa. Agora a minha conta bancária... nem por isso. Neste momento, moro em Lisboa, num T1 apertado, daqueles em que se engordamos 2 kg já não cabemos na casa de banho. E nesse apartamento, com despesas, pago cerca de 500 euros. Quando pensei na viagem, o meu raciocínio foi o seguinte: estou a gastar dinheiro em Lisboa com o apartamento, o meu escritório, o Holmes Place e as jantaradas com amigos; e se eu tentasse investir esse valor a morar em cidades em que sempre quis morar? Claro que terei de ter algum peso e medida - não posso ir viver para Tóquio ou para Oslo com estes valores, mas talvez consiga dividir apartamento em todas as outras cidades com relativa facilidade. O maior gasto que vou ter será mesmo com as viagens, mas tendo em conta que não tiro férias desde Novembro de 2011, permito-me essa exuberância.

Ah, mas então vais só passar uma temporada, não te vais mudar... certo?
Permitam-me a correcção, mas vou, de facto, mudar-me para cada uma dessas cidades. Abandonei a minha casa, as minhas redes de segurança emocionais (amigos, familiares), tudo aquilo que me é conhecido e confortável. E não vou passar férias. Vou mesmo morar para lá, tentando sentir-me em casa em todos estes lugares.

Então, mas vais viajar por esses sítios todos a fazer o quê?
Sou tradutora freelancer. A Segurança Social chama-me trabalhadora independente. Quando se utiliza o adjectivo "independente", não significa apenas não estar dependente de uma entidade patronal. Significa ser autónomo, ser livre, poder trabalhar em qualquer parte do mundo porque, para um freelancer, as fronteiras deixam de fazer sentido. E, embora toda a vida soubesse isto na prática, fazer disto uma teoria de vida sempre se revelou difícil. 
Portanto, vou continuar a trabalhar como tradutora freelancer, trabalhando e sendo paga (espero bem que sim) como se estivesse em Lisboa. Desde que me tornei freelancer, escolhi como local de trabalho o CoworkLisboa. Considero de extrema importância ter um espaço dedicado apenas e exclusivamente ao trabalho. Quando contei sobre o meu projecto ao Fernando Mendes, o CEO do espaço de cowork, fui instantaneamente nomeada a embaixadora internacional do CoworkLisboa. Vou passar os próximos tempos a trabalhar em espaços de coworking nas cidades que visitar. É uma das melhores formas de nos integrarmos num novo ambiente e só espero que os espaços de cowork por esse mundo fora contem com metade das características que o CoworkLisboa apresenta.

Qual o teu objectivo com este projecto?
Tenho 30 anos. Sou uma mulher urbana, muito trabalhadora (a minha avó é que ficaria contente se soubesse que me tornei uma adulta responsável, cof, cof), que gosta de se sentir inspirada com as pessoas com quem se cruza. Represento uma nova geração de jovens que trabalham com clientes internacionais, em que o conceito de "limite", "imobilidade" e "fronteira" já não faz muito sentido. Quero conhecer gente gira, contar histórias e sentir aquele friozinho na barriga de cada vez que aterrar numa nova cidade. Quero praticar o desapego às coisas materiais e à zona de conforto no qual estava afundada. Saber que este projecto vai ter uma duração limitada (um ano, talvez mais) permite-me ter alguma tranquilidade. Porque sei que quando regressar, Lisboa ainda vai estar no mesmo sítio.


8 comentários:

  1. Quem me dera a mim....
    Mas as escolhas da minha vida não mo permitem...

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  2. Lisboa estará no mesmo sítio connosco à tua espera para saber mais de ti! :)
    <3
    (nem acredito que já só falta 1 dia...)

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  3. que máximo! quem me dera fazer o mesmo :) boa sorte!!

    xx

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  4. Uao, que grande projecto! Apoio e sinto uma inveja boa mas vou ficar a espera das tuas fotos e textos pra viajar um bocadinho contigo!

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  5. olá. Somos tão parecidas ....eu também gosto de viajar, mas mais que tudo adoro viver nos sítios. Para mim é a única maneira de conhecer uma cidade: apanharmos o metro de manhã para ir trabalhar, passar os domingos à tarde nos jardins onde as pessoas costumam ir, ter vizinhos, ir às compras no mini-mercado.....ADORO. Já vivi assim na Irlanda , no México, na Suécia.Ah e nasci e cresci em Franca, o meu pai é Alentejano e a minha mãe Beirã. Então nunca sei o que responder quando me perguntam donde sou! A sério! Acho que me percebes :)
    Agora com 38 anos, essa fase de aventura acabou..não por falta de vontade (ui que adorava ir de novo) mas porque agora já constituí família...aproveita ao máximo girl.

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  6. Conheci o teu blog recentemente e adorei.. Parabéns por esta iniciativa!! Grande coragem, o mais fácil é ficamos na nossa zona de conforto. :)

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  7. Adorei! É a primeira vez que cá venho e fiquei fascinada logo com o primeiro post. Tantas coisas em comum: tambem sou tradutora (embora não independente, posso trabalhar a partir de onde eu quiser) e tambem eu sou uma desenraizada. Ja vivi em mais casas do que consigo contar, ja vivi 4 anos em Berlim e por pouco não me mudava para Maputo. Em breve vou sair da cidade para ir para uma zona mais rural, mas sinto sempre que nada é definitivo. Gostei muito do teu projecto e vou querer acompanhá-lo!

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  8. Olá, sou a tonta do fim de semana que te ofereceu bolo de chocolate...
    Gostaria de ter metade da tua coragem, mas enquanto não tenho, vou-te lendo e sonhando através dessa janela que é a tua visão do mundo. Desejo-te o melhor, e vou continuar a acompanhar a tua aventura.

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