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Coisa #28 que aprendi antes dos 30

12.12.13

[lição 2 de 2 sobre o medo]

Já vos contei que uma das coisas bonitas que me aconteceu recentemente foi ter ido a Madrid com algumas amigas muito queridas e de termos assistido ao vivo a uma entrevista com a Kim Cattrall (mais conhecida como Samantha de O Sexo e a Cidade). 
De há uns anos para cá, depois de assistir a dezenas de episódios repetidos, a Samantha tornou-se a minha personagem preferida e fiquei especialmente atenta à carreira da Kim. Ela contava, no seu tom sereno, ainda que ligeiramente apimentado e bem-humorado, que tinha 41 anos quando a convidaram para fazer o papel da sexy Samantha. E ela recusou três vezes. Porquê? Porque tinha medo. Medo de já ser velha demais para desempenhar um papel com sensualidade. Medo de fazer figura de parva no meio de um elenco mais jovem. Medo de se expor. Medo de a série ser um fracasso. Enfim, quando entramos na espiral do medo, conseguimos encher páginas de argumentos para não fazermos algo.
Este ano, a Kim Cattrall esteve em Londres durante vários meses com a peça Sweet Birth of Youth de Tennessee Williams. Exactamente no mesmo teatro, no Old Vic, estava em cena a peça de Shakespeare, Much Ado About Nothing, com a Vanessa Redgrave (a senhora que está na fotografia e que vocês bem reconhecem) e o James Earl Jones (esse sim, "a voz"). Vanessa Redgrave faz parte da realeza da representação: chega quase aos 80 anos com uma carreira de sucesso no teatro, no cinema e na televisão. Todas as actrizes a amam, toda a gente se dobra perante esta senhora. 
Na entrevista, conversando sobre o medo e sobre como este esteve presente em tantos momentos da sua vida e carreira, a Kim contava que um dia foi cumprimentar Vanessa aos camarins - ela que fazia isto todos os dias da sua vida há décadas - e...Vanessa Redgrave, a senhora da representação, estava nervosa. 
A Kim disse que nesse dia percebeu que talvez não fosse necessário ser tão dura consigo própria e disse algo do género: « - If Vanessa Redgrave is nervous, then it's okay. I'll be okay.»
O medo não tem de ser castrador. Porque não encará-lo como uma reacção perfeitamente natural do nosso corpo e da nossa cabecinha pensadora? Quanto a vocês não sei, mas eu acho isto incrivelmente libertador.

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