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Coisa #8 que aprendi antes dos 30

1.11.13

Uma das conversas mais profundas que tive na vida foi com uma pessoa que conheci nesse mesmo dia, a Helen. Eu estava em Nápoles e foi lá que a conheci. Uma senhora elegante, de 50 anos, tinha deixado tudo o que tinha na sua Austrália natal e havia-se mudado para Nápoles. Eu estava numa fase particularmente solitária da minha vida em que me sentia triste por não ter irmãos e pensava constantemente que, assim que eu ficasse sem os meus pais (sim, não é fixe falar disso, mas sabemos que é o curso natural da vida), ficaria totalmente sozinha no mundo. Sem um chão de apoio, sem ninguém próximo do meu sangue, sem ninguém que tivesse partilhado a mesma educação do que eu, sem o meu ADN ali mesmo à mão de semear. E dizia à Helen, numa daquelas conversas estranhamente íntimas que só conseguimos ter com verdadeiros estranhos, que estava triste por saber que ia morrer sozinha. E a Helen respondeu-me: "What if I told you that I have 10 brothers and sisters and I feel exactly like you do? We all die alone, Rafaela".
A verdade é que desde esse dia alguma coisa em mim mudou. Pode faltar-me uma família grande, mas o universo compensa-me grandemente com estas pessoas extraordinárias que me vão aparecendo pela vidinha.

[Nota 1: passaram-se três anos, mas eu a Helen ainda estamos em contacto. Estou a ver se junto uns 3 mil euros para ir ali à Austrália dar-lhe um abraço]

[Nota 2: nada disto teria sido possível se eu não viajasse sozinha]


2 comentários:

  1. Morremos e também sofremos sozinhos, cada um com a sua dor, mas são de facto estas coisas aparentemente insignificantes que dão valor à vida. A idiossincrasias da vida.

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  2. Napoli <3 o vulcão oferecendo conexões!

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