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Home is where I am

11.10.13

Recentemente estive em Madrid e assisti, in loco, a uma entrevista entre a Kim Cattrall (ultra-celebrizada pela personagem de Samantha Jones em O Sexo e a Cidade) e o Matt Wolf (crítico de teatro do New York Times). Perante uma plateia de alguns milhares de pessoas numa das salas de espectáculo mais bonitas de Madrid, o Teatro Español, os dois conversaram durante mais de uma hora sobre a carreira da Kim, no teatro, cinema e televisão, sobre a sua vida em geral, sobre a importância que o papel de Samantha Jones teve na sua vida e sobre mais uma série de coisas. Fiquei surpreendida pela serenidade desta mulher de 57 anos que respondia às perguntas de forma tranquila, com um toque de humor e com toda a sinceridade.

Uma das singularidades da senhora Cattrall é o seu background: nasceu em Liverpool, cresceu em Toronto e passou a vida adulta em Nova Iorque. Como ainda hoje se divide entre estes três universos, Matt Wolf perguntou-lhe "Where is home?". Ela respondeu "Home is where I am". Só isso.

E eu percebo-a, sabem? Eu nasci e cresci em Portimão, saí de lá aos 17 anos, morei em Leiria durante 4 anos, estive uns meses no Rio, morei em Milão 3 anos e conto já com 4 anos de Lisboa. E considerei sempre que a minha "casa", no sentido emocional da palavra "home" em inglês, era onde quer que eu estivesse. Independentemente da presença ou não dos meus pais, da minha família, dos meus amigos de sempre, do namorado, do gato ou das minhas tralhas.

Há três anos, veio-me uma ideia à cabeça: experimentar viver em cidades que sempre me fascinaram durante três meses. Porquê? Três meses é o tempo que necessitamos para conhecer as dinâmicas de uma cidade: para nos habituarmos ao estilo de vida, para sabermos o nome do senhor da padaria e do senhor que nos vende o jornal, para conhecermos os rostos das pessoas que se cruzam connosco e para saber se é naquele local que gostaríamos de passar o resto da vida ou não. E, por sorte, é exactamente o intervalo de tempo que o visto de turista nos concede.

Há três anos trabalhava numa empresa, tinha um emprego de gente crescida, pelo que atafulhei o sonho para dentro de uma gaveta. E agora, após 18 meses a trabalhar como freelancer, coloquei-me a seguinte questão: se estou a gastar 500 euros a morar numa casita simpática no centro de Lisboa, se consigo sustentar um escritório, uma vida social agitada e umas viagenzinhas de vez em quando, porque não experimentar fazer isto noutro lado qualquer? Foi assim que surgiu a decisão de abandonar a minha casa e a minha vida lisboeta e mudar-me para o Rio de Janeiro. E não tenho qualquer pejo em usar o verbo "mudar-me". Não vou passar férias, vou viver lá.

A minha casa nos próximos tempos vai ser um apartamento em Copacabana. Porque é lá que vou estar.




Nota:
O meu MasterPlan inclui recriar a mesma experiência em mais três cidades. Mas falo disso mais adiante.


14 comentários:

  1. Uma ideia tão louca que só pode resultar numa experiência fantástica. Admiro essa tua coragem em dar esse passo (bem, também só foi possível depois de um passo ainda mais corajoso ao deixares o emprego corporativo do costume, portanto double thumbs up) e desejo-te toda a sorte e alegria do mundo nesta aventura. Agora, faz updates constantes que a malta fica com saudades... :)

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  2. Querida Analog, muito obrigada pelas tuas palavras lindas, como sempre. Não foi uma decisão fácil e acho que os próximos meses vão ser difíceis. Tive de comprar o bilhete já (e paguei uma pequena fortuna por ele) para não mudar de ideia. Esta viagem já me trouxe dissabores a nível pessoal, mas sei que preciso desta aventura para começar uma nova fase. Faço 30 anos em Novembro e preciso de sacudir um bocado a minha vida. :)

    E sim, vou fazer updates a sério. Mas combinamos um lanche em breve e falamos disto e outras coisas melhor :)

    Beijo grande

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  3. Que idéia louca (no sentido: excitante, original e outras coisas positivas)!
    Sendo globetrotter de berço, estou 100% de acordo. Home is where I am. Home is where my heart is.

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  4. que inveja, adorava ter condições para fazer o mesmo, estou a precisar tanto de mudar de ares, já nada me alegra ou surpreende aqui no Porto. infelizmente o meu emprego mal dá para sobreviver, quanto mais para viver a sério. muita sorte nesta aventura e sim, vai dando novidades para eu poder sonhar que um dia vou poder fazer o mesmo :)

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  5. Um dia destes vi um documentário da Kim Katrall em que ela andava a tentar procurar alguns dos familiares que nunca tinha conhecido e fiquei surpreendida pela simplicidade dela. Eu que a Samantha é só uma personagem, mas ela entrou nas nossas vidas e parece que a atriz é mesmo assim!
    Agora relativamente à tua experiência: fantástico! E muitos parabéns por não teres problemas em te desapegar das pessoas e das coisas e ires assim à aventura!
    Estarei por cá para ir assistindo a essa aventura :)
    Tudo a correr bem para ti*

    Beijos

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  6. Coragem quanto a esta nova aventura. Alias, não precisas de coragem. Já viveste em muitos sítios, é sempre readaptação e VIVER. E BTW adoro a Kim Cattrall (yet I dislike all things SATC...) sobretudo depois de ver um "Who do you think you are" com ela e saber que viveu durante anos na Alemanha e aprendeu a língua. Ela tb é uma mulher do mundo. Beijos!

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  7. Li agora o comentário da Blanche Cerise: o documentário é esse mesmo, "Who do you think you are" ;)

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  8. Muitos parabéns por esse passo tão grande!
    Já sabes que algumas coisas vão custar, mas vais ganhar muito mais :)
    Muita coragem e muita sorte!

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  9. Já te tinha dito que achava a ideia genial. E eu admiro a tua coragem, porque é precisa coragem, porque eu cá não conseguia sair deste rectângulo, cú-de-judas onde vivemos. Vai ser giro é ver se voltas!

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  10. Podes correr o mundo, e muito me orgulho disso, mas tens "casa" no coração das pessoas que gostam de ti e te querem bem! A tua casa é também juntinho ao meu coração, que vou estar a torcer por ti, desejar que vivas intensamente cada experiencia nova e que venhas por estes lados e nos contes tudo com essa capacidade que tens em te expressar! ;)

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  11. @Blanche Cérise e @Elitis, só por causa dos vossos comentários, fui à procura do documentário. Por sorte, está todo no youtube. Já comecei a ver - ela é maravilhosa, não é?

    @Blanche, isto é acima de tudo um exercício: praticar o desapego. Tenho de escrever sobre isso. Obrigada pela inspiração :)

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  12. @Sofia, muito obrigada pelas palavras de apoio. Vai custar sim, mas acho que me custaria mais se daqui a 10 anos olhasse para trás e visse que tinha sido uma medricas. Tenho sempre, sempre esse medo.

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  13. @Sãozinha, obrigada, minha querida. É algo que quero fazer há tanto tempo e andei estes 3 anos a reunir condições - inconscientemente, pois havia de certa forma abandonado a ideia - e coragem também. Vou estar preocupada em divertir-me e ter histórias para vos contar. E já começou: ainda antes de comprar o meu bilhete para o Brasil estive a ter uma conversa de uma hora com o cônsul. Conversa essa totalmente surreal. Depois conto. :)
    E sim, eu volto. There's something about Lisbon :)

    (a não ser que encontre alguém igualzinho ao fassbender durante a minha viagem e ele se apaixone perdidamente por mim...aí já não prometo nada)

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  14. @Sílvia, já faz 10 anos que nos acompanhamos uma à outra. É bonita esta nossa amizade e admiração mútua, não é? Beijo enorme pra ti!

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