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Os Melhores Empregados de Mesa de Lisboa

8.5.13


Uma das características do ser humano que mais me comove é e sempre será a boa educação. A boa educação do bom dia, boa tarde, obrigado, se faz favor, como lhe corre o dia, queira sentar-se. Boa educação. Se a esta aliarmos a simpatia natural e um sorriso, pronto, estou conquistada. Mas desenganem-se aqueles que pensam que eu aprecio a lambe-botice, a subserviência, o bajulamento e a simpatia em excesso. A simpatia é, de facto, uma característica tramada: tem de ser na dose certa. Se for exagerada (sob pena de se confundir com o fingimento), resvala para o irritante.

Sou uma moça que tem por hábito comer fora. Eu sei - é mau para o rabo e mau para a carteira. Mas o que se perde em elegância e em euros, ganha-se em tempo e em experiências giras. O meu leque de opções passa por investir em almoços rápidos no restaurante da esquina ou arriscar numa extravaganciazinha na Brasserie de l'Entrecôte. Gosto de ir ao Tentações ali na Praça da Figueira (sem comentários em relação ao nome), mas têm um bom Bacalhau à Brás e são simpáticos. Se estiverem num bom dia e se eu conseguir fazer o meu sorriso 92 (sorriso específico que visa obter um favor, em que sorrio e inclino a cabeça ligeiramente para o lado direito) até me fazem o preço de almoço ao balcão quando, na verdade, estou sentada numa mesa cá fora. É que tenho medo de me sentar nos bancos altos, desde que um dia caí do alto de um numa discoteca em Leiria. 

Comecei com este assunto precisamente para contar que criei na minha cabeça uma espécie de selecção nacional dos melhores funcionários e empregados de mesa de Lisboa. Aqueles que são simpáticos, dão sorrisos maravilhosos, tratam-nos como princesas e que nos fazem querer ter vontade de lá voltar. No dia seguinte, se for possível. Caso um dia eu abrisse um restaurante, estes seriam as pessoas que iria contratar para assegurar aos clientes o melhor tratamento possível:

- o Mauro, que trabalha no Restaurante Sinal Vermelho. O rapaz estudou hotelaria, percebe de vinhos, é muito novo e extremamente simpático e cortês. Certo, não posso ir ao Sinal Vermelho todos os dias (nem sequer todos os meses), porque o preço médio de 25-30 euros por pessoa ainda faz mossa. Mas quando lá vou, normalmente em ocasiões especiais, sou tratada como uma cliente especial.

- a Joana, que trabalha no quiosque Banana Café, na Avenida da Liberdade. É o quiosque que está mesmo do lado oposto ao quiosque da Time Out. É agradável, tem excelentes tostas e no outro dia passei uma bela tarde a beber um valente jarro de sangria com a Angélica e foi uma tarde incrível. A Joana é gira que se farta, com um ar negligé, tem um sorriso lindo e é, mesmo, muito simpática e cheia de vida. 

- o Bruno, que trabalha na Taberna Tosca. Ora, como estive a trabalhar recentemente na zona da Praça de São Paulo (Cais do Sodré), ia com alguma frequência almoçar à Taberna Tosca. Tem excelentes petiscos e entradas e um menu mais ou menos em conta para o almoço. O Bruno é um rapaz simpático - gosto da contenção e postura dele. Mesmo em dias em que eu estava particularmente eléctrica, o rapaz sempre me atendeu com toda a simpatia, explicando sempre ao pormenor cada prato. É daqueles rapazes que, quando volta costas, nós pensamos: "oh..tão querido que ele é". Tudo muito fraternal, claro. E há uma coisa: a mousse de limão deles....é um caso sério.

- o Alex, do Starbucks do Rossio. Em bom rigor, todos os funcionários do Starbucks são simpáticos. Fico sempre com a ideia que a empresa possui uma política empresarial e de assistência ao cliente rigorosíssima, em que os formandos passam semanas enclausurados num ambiente artificial e aprendem a servir todo o tipo de clientes com um sorriso no rosto. Mas aí está, eu sei distinguir a simpatia natural da simpatia imposta. E o Alex, um jovem paulista (que ainda por cima é jornalista), é mesmo simpático. É parecido com o Harry Potter (mas mais giro), bem educado e...o melhor de tudo: dá-me senhas para a Internet, mesmo sem eu consumir assim tanto. :)

- a D. Adelaide da Tasca do Urso. Eu adoro, adoro, adoro este restaurante. Os preços andam ali entre os 20-25 por pessoa (com vinho), o que não é algo que convém fazer todos os dias, mas a experiência vale sempre a pena. Parece que fomos almoçar à casa da avó: aliás, creio que todas as avós e a Tasca do Urso compram a louça no mesmo sítio. Aquele ambiente familiar, as melhores pataniscas de bacalhau do mundo (acompanhadas de molho de iogurte - seriously, como se lembraram disso?) transformam cada ida a este restaurante num verdadeiro evento. E o casal (que não faço ideia se são casados ou não) recebem-me sempre com humor e com aquele ar familiar, quase em tom de raspanete: "Ó dona Rafaela, já há muito tempo que cá não vinha!". São os maiores!


Extra (Portimão)
- o Cláudio, que trabalha (e acho que é sócio) no Do Cais, no Clube Naval em Portimão. Não é um moço, já tem perto dos seus 40 anos e é o perfeito funcionário. Sempre simpático e cordial (mas nunca too much), responde com humor às minhas brincadeiras - pois, também há essa, eu gosto de brincar com eles como se fossem meus amigos da escola. É um pouco galanteador, mas q.b. Conheço-o há muitos anos e o Clube Naval é simplesmente um dos melhores restaurantes de Portimão.

4 comentários:

  1. Damn girl, tens de vir ao Porto fazer a review. :)

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    1. Vou sim, agora em Junho! Depois da conferencia fico aí uns dias! :) tens de me ajudar!

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  2. Subscrevo na íntegra o primeiro parágrafo! Simpatia na dose certa é coisa rara...
    Porém, apesar de gostar de ser bem recebida e bem servida, não sou de alimentar amizades com empregados de restaurante - não é por snobismo, mas prefiro manter-me 'anónima' quando vou jantar fora, a menos que seja na tasca da esquina onde é inevitável conhecerem-me.

    PS - Quando penso em «Lisboa», «Empregados» e «Simpatia» ocorre-me sempre a Mexicana. Ou a Bénard!
    Mas não pelas melhores razões, claro...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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