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Misery loves company

3.5.13

Primeiro, vamos deitar-nos com um nó no estômago. Acordamos às 7 e meia com um nó ainda maior. Para nos animar, comemos um pain au chocolat para ficarmos com uma lembrança doce durante o resto do dia, aconteça o que acontecer. Depois vamos para o escritório / atelier / oficina / estúdio / trabalho atacar o dia. 
Depois começa a tristeza constante e sintomas mais sérios: "olha que uma gripe agora vinha mesmo a calhar"; "o que eu não dava para ficar o dia inteiro na cama a ver episódios do Dexter"...
Há mais de um ano escrevi aqui que um dos grandes sinais que me fez perceber que tinha de me despedir do meu emprego, para bem da minha sanidade mental, foi um dia, quando chegava ao escritório, demorei-me um pouco mais na estrada e pensei "se eu fosse atropelada, ficava uns bons dias no hospital...e não tinha de vir trabalhar".
Quando conto esta questão a amigos e familiares, é fácil dizer um "não sejas parva". Não se tratava de uma forma de exagerar uma situação com algum humor ou uma hipérbole de mau gosto como quem diz "quem me dera que o escritório ardesse e não tivesse de pôr lá os pés durante uns dias". Não. Era de facto um desejo literal. Desejo esse que traduzia um desespero. 
Ontem ao ler as manchetes do dia, deparei-me com esta notícia sobre o Hugh Laurie, nada mais nada menos do que um actor premiado, de magnífica reputação e indiscutível talento. Foram 8 anos de intensas gravações e de total inexistência de vida privada, sendo que até nos supermercados as pessoas tiravam fotografias ao que ele levava no carrinho de compras. E ele diz o seguinte: 


Ler estas palavras deu-me algum conforto. Quanto mais não seja para perceber que não interessa se és uma estrela de Hollywood e ganhas 250 mil dólares por semana ou se és uma project manager que ganha 900. A infelicidade é a coisa mais democrática que existe.

5 comentários:

  1. eu penso isso imensas vezes, "ai se ficasse doente não tinha que ir trabalhar" "ai se partisse uma perna não tinha que ir trabalhar"... mas para ser sincera se ganhasse 900 euros até ia trabalhar com muito mais gosto :)

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  2. se disser "todos diferentes, todos iguais" é demasiado cliché não é? mas é que esta é uma expressão, apesar do tamanho que tem, compreende em si tanta coisa (aquilo que fazemos diferente, aquilo que fazemos de igual), que passo a vida a pensá-la e a vê-la aplicada no dia-a-dia :)

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  3. @stantans, eu compreendo que, por vezes, até podemos achar que os outros se queixam de boca cheia. Neste caso em específico, eu desempenhava uma função de management, com imensas responsabilidades, era um trabalho esgotante...e o valor de mercado é cerca de 1100 euros. Por isso, tendo em conta que estava insatisfeita a muitos outros níveis, o salário de 940 euros era desmotivante. Aquilo que faço agora - traduzir e escrever - fá-lo-ia de graça. :)


    @catarina m., é cliché mas eis que é uma forma realista e positiva de ver a vida. :)

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  4. eu vivi isso...era tão infeliz que tinha sintomas físicos, problemas digestivos entre outros, e estava sempre a chorar. Despedi-me.

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