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Go Youth: os putos empreendedores

20.3.13


Neste fim-de-semana fui a uma Conferência organizada por um grupo de jovens empreendedores na Universidade Nova. A Go Youth Conference apresentava um painel de oradores composto por jovens (mesmo muito jovens) que se tornaram célebres nas suas áreas de actuação. Viram o filme A Rede Social sobre a criação do Facebook? Pronto, miúdos desse género: geniozinhos que se tornaram multimilionários graças a ideias brilhantes. E a mentes extraordinárias. 
Havia desde o iraniano-americano que vivia em Malibu, que tinha criado o Rap Genius - um site em que se descodificam letras de música rap - e surfava todos os dias, desde o chinês-canadiano Brian Wong que se tinha mudado para Silicon Valley porque inventou um sistema de publicidade para jogos de telemóvel (um dos melhores oradores que já ouvi falar...e do alto dos seus 21 anos), o puto que veio falar do conceito de "unschooling", em como deixou a escola aos 12 anos e conseguiu ter um sucesso descomunal na mesma, sem ter de pertencer ao "sistema". Este em particular fez uma apresentação muito gira, divertida e interessante embora algo utópica. Disse que queria traduzir o livro para português. No intervalo, arranjei logo forma de lhe dizer que gostava de o traduzir, mas que deveríamos esperar uns 25 anos porque Portugal não está preparado para isso. Em Portugal ainda conta apontar no caderninho em que universidade estudaste, se foi Politécnico, Universidade Privada ou Pública. Ainda conta saber que curso tiraste e que trabalho fazes. Não temos espaço para os criativos nem empreendedores, pessoas que querem fazer coisas diferentes daquilo que estudaram. 








Quanto aos oradores portugueses, fiquei encantada e esperançosa com aquilo que vi. A apresentação do Miguel Santo Amaro, o rapaz que criou a Uniplaces, um site magnífico que teria dado um dente para que existisse enquanto eu estudava, em que facilita o processo de encontrar casa para estudantes. Foi um dos únicos mercados que cresceu nos anos da crise. É de facto uma ideia extraordinária e o projecto tem ganho prémios por esse mundo fora. Criado por um puto português. Que construiu a sua formação e carreira fora de Portugal. Conheci também o Diogo Teles, um miúdo simpático - atenção trato-os por "miúdos" porque são todos mais novos do que eu e ainda têm pouca barba substancial na cara - que criou a Mobitto. Nunca tinha ouvido falar, mas parece que é um dos principais players na área mobile em Portugal.
Apesar de me ver confrontada com uma diferença abismal entre o meu perfil profissional e o destes geniozinhos, não houve grande espaço para a frustração. Pelo contrário, senti-me contente por ver que há por aí muita gente talentosa a criar coisas. 
E, para que conste, não, a próxima geração não está perdida.

4 comentários:

  1. Quero ler esse livro! Apesar de ser uma defensora acérrima da educação, tenho saudades daqueles tempos dos nossos pais e avós nos quais com trabalho árduo tudo se conseguia...

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  2. Vou ver se encomendo pela Amazon. O projecto é muito interessante e o miúdo é engraçado. De qualquer forma, os americanos têm aquela fase intermédia do "home schooling" que é muito comum...e nós nem isso temos. Acho que nem sequer é legal, pois não?
    Mas o puto é brilhante.

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  3. Legal é, mas não é muito utilizado. E não concordo, só em casos extremos de inadaptação...

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