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Formigas da alma

17.5.11

No Verão do ano passado quando regressei de uma semana de férias, deparei-me com uma infestação de formigas no meu quarto. Lá estavam elas, às dezenas, no parapeito da janela, onde costumo arrumar as minhas dezenas de revistas e jornais, mantendo-se na borda da janela mas muitas confundindo-se por entre as páginas ainda por ler de jornais antigos.
Segui-as com o olhar tentando compreender de onde vinham. Vinham do pátio exterior, claro, mas até hoje nunca consegui compreender por que motivo se encontravam apenas no meu quarto e não no resto da casa. Por muita pena que tenha destes insectos tão trabalhadores e simpáticos - houve até uma altura da minha vida, quando provavelmente não tinha muito que fazer, em que acompanhei durante uma hora uma formiga fortíssima que transportava um bago de arroz pela parede acima - fui buscar o Dum Dum e disparei um jacto mortal sobre todo aquele carreiro que me enervava. Depois aspirei-as, quais almas penadas, para o fundo do saco do aspirador.
No dia seguinte, o episódio repetiu-se. Provavelmente as formigas mártires não tiveram tempo de enviar os sinais sonoros mágicos às amigas do pátio avisando-as do perigo de se aproximarem do meu quarto e estas vieram na mesma. Dum Dum para elas também.
Alguns dias depois, por descuido deixei em cima da secretária um prato de sobremesa com uns caroços de cereja que tinha comido à noite, e de manhã, meio estremunhada, deparei-me com um cenário apocalíptico: centenas de formigas em cima do prato e espalhadas por toda a secretária. Saber que é um animal inofensivo não é suficiente para atenuar o nojo que sentimos ao ver tantas formigas juntas.
O pior episódio foi durante um fim-de-semana em que acordei já tarde e junto ao meu cabelo e, portanto, na almofada e nos lençóis encontrei algumas dezenas de formigas...Saltei da cama, enfiei todo o jogo de cama na máquina e arrepiei-me com aquele cenário.
Depois de uma limpeza profunda e de muito DUM DUM gasto, as formigas desapareceram.
Porém, nas semanas seguintes, todos os dias aproximei-me do parapeito da janela sempre com o medo de poder encontrá-las por ali a vaguear. E muitas vezes acordei sobressaltada e vasculhei almofadas e lençóis procurando vestígios de formigas. E de cada vez que sentia comichão em alguma parte do corpo, tremia e temia que houvesse alguma formiga perdida por ali. Mas não, elas tinham desaparecido mesmo.

Os traumas não são mais do que as formigas da alma.

7 comentários:

  1. Diria que nesta perspectiva tua, o importante será encontrar o Dum Dum certo.

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  2. Há amigos que são melhores que o Dum Dum...

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  3. O dum-dum é tóxico, tanto para seres vivos como para traumas. O remédio natural para afastar as formigas sem as matar é deixar umas gotinhas de vinagre pelos sítios onde elas normalmente andam (à saída da "toca" é o ideal). Mas melhor do que afastar traumas (e formigas) é enfrentá-los. Garantidamente, quando os vences ficas muito mais forte. Eu tinha traumas (mais psicológicos do que devido ao asco) de enguias. Venci-o agarrando numas enguias e falando com elas ("não és mais forte que eu, ouviste?!"). Para os outros traumas é mais ou menos isso. Agarrar a oportunidade e as ganas de ultrapassar, e enfrentar a coisa.

    Espero que esta conversa sirva para não matares mais formigas, pelo menos. ;)

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  4. O melhor para as formigas é mesmo álcool etílico. Atira-se para as formigas, elas morrem, o álcool evapora num instante e depois é só varrer. O Dum Dum é um bocado tóxico, de facto.
    Para as formigas da alma... Bem, segundo muito boa gente esta minha teoria também se aplica.

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  5. Como te percebo... Isso é uma praga comum em minha casa e constante, o que me irrita profundamente!! Nem um copo de iogurte me posso esquecer, senão "tumba" lá estão elas..

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  6. Meninos e meninas, muito obrigada pelos vossos comentários. Ando com dificuldades em responder aos comentários porque na última reunião de trabalho, o meu chefe apresentou-me uma lista de comentários feitos por mim na hora de expediente do trabalho. (no comments) Então durante o dia leio as vossas mensagens e depois de noite acabo por me esquecer de responder. Desculpem-me, tá? :)

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