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Para a menina Lúcia

8.11.10

A minha amiga Lúcia faz hoje faz 27 anos. 
Ontem pouco depois da meia-noite, bem não, eram quase 2 para dizer a verdade, na mensagem que lhe mandei de parabéns dizia-lhe algo do género: "27 anos...é impressionante como dois terços da tua vida, passámo-los juntas. Estarei aqui até ao fim."
De facto, e lamento o meu mau gosto, a última palavra que as pessoas que fazem anos querem ouvir é "fim". Mas acho que no contexto não ficou muito mal. Hoje ela respondeu-me com um "gabo-te a tua capacidade matemática às 2 da manhã". E eu ri, claro. No passado já aqui reflecti sobre a importância que esta mulher tem na minha vida (podem espreitar este post escrito há uns bons anos) e não é esse o meu objectivo hoje. Apeteceu-me simplesmente prestar-lhe uma singela homenagem.

Ela conhece o meu melhor e o meu pior. E eu o dela. Temos um grau de intimidade que nos permite sermos cinzentas, coloridas, selvagens, parvas, cómicas, ternurentas, coléricas, sem o medo que isso afecte a nossa relação. Chateamo-nos e temos a maturidade e humildade suficiente para dizer à outra em lágrimas: "Eu sou assim, tu sabe-lo. O que posso fazer para melhorar? Ajudas-me?". Passamos a mão na cabeça da outra e alargamos as costas para proteger a outra em caso de perigo. Conhecemo-nos desde os 9 anos (9 x 3 = 27, perceberam?), o que perfaz 18 anos de amizade. 18 anos é uma vida adulta. Um dia disse-me que a amizade que sentia por mim era tão grande que se eu matasse alguém, ela vinha e ajudava-me a esconder o cadáver. (Senhores da Polícia Judiciária, acredito piamente que seja uma força de expressão. Por favor, não persigam a minha amiga Lúcia nem a submetam a um interrogatório, pois ela é verdadeiramente inofensiva).

Dizemos com alguma frequência que gostamos uma da outra. Mas não muito, porque não somos dessas merdas. O maior testemunho da nossa amizade é sermos íntimas (eu mostrei-lhe como usar um tampão com aplicador) há tantos anos e não haver nada que pareça romper este laço. Desenganem-se as almas românticas que acham que andamos sempre juntas e nos telefonamos todos os dias. Não, por vezes estamos algumas semanas sem falarmos, ambas temos outros amigos com quem contamos para as mais diversas actividades, mas sabemos que quando estamos juntas, ahh...somos aquelas miúdas barulhentas do liceu de Portimão outra vez.

Hoje ela faz 27 anos. E é reconfortante ter a certeza de que quando chegar aos 100 anos de idade, eu vou estar lá a soprar as velas com ela. Como acontece desde que éramos crianças. 

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