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Complexidades

26.5.08


Faz-me impressão quando sou inundada de sentimentos tão intensos e contraditórios que não consigo perceber se estou feliz ou infeliz.
Tento matematizar as coisas, na esperança de assumir uma atitude serena:

1 - estou feliz porque me fizeram uma proposta irrecusável no emprego em que estou há apenas dois meses de ir para um outro país aprender imensas coisas no campo do marketing e da internet;

2 - estou feliz porque é um bom afago no ego o facto de saber que me despedi do meu último emprego, onde não era feliz, sem ter nenhuma perspectiva de trabalho e em poucos dias ter encontrado este novo emprego, que gosto bastante e que me dá oportunidade de crescer profissionalmente;

3 - estou feliz porque tenho 24 anos e a oportunidade de ganhar um bom dinheiro e poder viver bem e ser independente;

4 - estou feliz porque sei que os meus pais e amigos se orgulham de mim, porque sempre me fiz à vida e vim para um outro país para conquistar um lugar no mercado de trabalho, pois estava visto que em Portimão estaria destinada a ser recepcionista num hotel ou se ficasse em Leiria iria acabar numa empresa de moldes.

5 - estou feliz porque já vivi no Brasil e reitero sempre que foi o momento da minha vida em que eu fui mais feliz, em que existiu o meu melhor "eu" e tenho a chance de agora de voltar a ser estupidamente feliz, de comer picanha todos os dias e beber suco de abacaxi com hortelã e de fazer amigos nas filas das lojas.

6 - estou feliz porque sou agraciada com a bênção de começar do zero, de iniciar uma nova vida, uma nova era.

Paradoxalmente:

1- estou infeliz porque tinha alcançado - depois de um ano de árduo trabalho e esforço intelectual e físico - finalmente um período de estabilidade, uma casa que gostava aqui em Milão, a inscrição anual num ginásio da moda, comprado uma bicicleta e uma vida social florescente e agora devo abrir mão de TUDO.

2 - estou infeliz porque estou há quase dois anos com um homem decente, que adoro e que me trata como uma princesa e agora devo deixá-lo. E não me venham com tangas dizendo que é perfeitamente fazível um ano longe do namorado, pois sinceramente não acredito em relações à distância. Uma relação não sobrevive do amor, sobrevive da cumplicidade. E a cumplicidade perde-se pouco a pouco.

3- estou infeliz porque não sei onde deixar os meus livros, os meus dvds e os meus sapatos.

4 - estou infeliz porque me sinto como um Nicolas Cage que abandona a sua Tea Leoni para ir viver para o outro lado do oceano durante um ano.

5 - estou infeliz porque será a primeira vez na vida em que irei trabalhar para outro continente e estarei completamente sozinha, sem amigos, sem apoios, sem pilares, sem mentores.

6 - estou infeliz porque já decidi partir. E ainda não me habituei à ideia.

5 comentários:

  1. Há decisões tramadas :p Vais ver que daqui a uns meses já terás um novo espaço para os cd's e sapatos e uma nova dinâmica de vida. Isso dos amores é que é tramado :p Coragem!! Bjs

    rodrigo

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  2. Essas decisões são tão complicadas. Mas para a frente é caminho...:-D

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  3. Se a decisão já está tomada, há que seguir e viver com ela.
    Tudo o resto é minímo e terá solução.
    Beijocas e muito boa sorte.

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  4. Ai gaja...é lixado, muito lixado, mas se j´ecidiste é pk algo dentro de ti diz para ires, e isso já é muito bom, aliás só o facto de já teres tomado a decisão é optimo...admiro-te imenso amiga....se fosse eu ainda andava com a cabeça à roda a pensar pk há sempre decisões tão tramadas para tomar na vida...mas é como te digo, se já decidiste é porque dentro de ti tu sabes que é isso que queres....força...quando precisares de mim, i'll be here!!!

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  5. Desculpa a invasão, vi o teu comentário sobre o sex and the city no bog da Kitty Fane (tb partilho da mesma opinião, vim cuscar o blog..) Se já decidiste é porque alguma coisa te disse que vais ser feliz :) Força! Tens uma vida inteira para construir :)

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