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A cicerone Virginia

26.3.06




Para aquele que pensou que vir para Milão e arranjar casa era muito fácil, enganou-se redondamente. Considero-me uma privilegiada porque tenho tido muita sorte na minha vida em relação às pessoas que conheço. Uma das situações mais flagrantes foi, sem dúvida, com a Virginia.
Conhecemo-nos quando fez Erasmus em Portugal há dois anos. Nas semanas anteriores à minha vinda para Milão, a Viz (como gosta de abreviar o seu nome) ofereceu-se para me ir buscar ao aeroporto e apresentar-me à cidade.Quando cheguei a Malpensa, na noite de 16 de Fevereiro de 2006, lá estava ela à minha espera com um sorriso nos lábios. Não só porque era eu que estava ali à sua frente, mas porque a própria já tinha passado por tudo aquilo que estou a passar como uma aluna Erasmus e certamente lhe terão voltado à memória a sensação que é aterrar numa cidade que não se conhece, em direcção a uma vida que não é a nossa e passar uma boa parte da nossa vida longe do nosso país. Creio que o sorriso dela devia-se a esta lembrança.
A Virginia e a mãe receberam-me de braços abertos. Ensinaram-me as primeiras coisas de Italiano e não me esqueço da cara da Rosa, a mãe, quando uma semana depois olhava para mim e percebia perfeitamente aquilo que eu queria dizer, enquanto nos primeiros dias, não conseguia falar nada.
A Viz sempre teve uma paciência de Jó comigo, fosse pelas nossas diferenças de opinião, fosse pelo meu cansaço emocional de estar constantemente a errar e a repetir as coisas em italiano...porque para aqueles que nunca foram para um país sem conhecer a língua e tinham forçosamente de a aprender, acreditem que é muito cansativo.
Estive na casa da Viz desde dia 16 de Fevereiro até dia 5 de Março, ou seja, quase três semanas. Houve muitos percalços na minha procura de casa.Vi bastantes casas, mas havia sempre algo contra: ou era muito cara, ou a caução era muito elevada, ou os conquilinos não me telefonavam a confirmar se podia ficar lá. Foi um tempo de grande tensão para todos, pois a Viz estava a acabar a tese dela, o que acrescia o stress sentido; eu já tinha começado as aulas e estava preocupadíssima por ainda não ter encontrado quarto...enfim, apesar de me divertir bastante com a Viz, foi uma altura bastante complicada.
Portanto, este post é precisamente uma homenagem à Virginia (e à Rosa, que me tratou como uma filha), que não tendo propriamente muita intimidade comigo no momento que cheguei a Milão, se tornou o meu ombro e o meu braço direito nestes primeiros tempos num novo país e numa nova cidade. O facto de ela ser uma pessoa muito prática, muito terra-a-terra e muito sincera, sem dúvida, foi importante para mim e aprendi imenso nestas semanas que estive na sua casa.

Obrigada Viz!

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